Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Com uma presença algo pontual e plenamente justificada neste espaço em tempos recentes, quer a solo quer em duo com Koshiro Hino tcp YPY, o australiano Will Guthrie tem sido um incansável e imaginativo propulsor para a potencial infinitude da bateria e da percussão. Espraiando-se, com plena noção de foco, por entre diversos campos de acção, a sua exploração e ataque clemente e plural ao timbre, ritmo e textura traduz-se em investidas valorosas por linguagens que vão do free jazz, à electro-acústica, do minimalismo ao gamelão, encontrando pontos de ligação e clivagens entre as mesmas para daí chegar a novas formas. Afecto à colaboração, Guthrie tem criado parcerias frutíferas com nomes como Mark Fell, Oren Ambarchi, Sarah Hennies ou David Maranha, sendo esta uma nova revelação ao lado de Ahmed Ag Kaedy nova prova da sua visão periférica. Músico nascido no Mali e líder dos celebrados Amanar De Kidal, Ahmed Ag Kaedy é um dos revolucionários da tradição musical Tuareg, ao lado de nomes como Tinariwen ou Bombino. Em exílio da sua cidade natal no Norte do Mali após a invasão de extremistas islâmicos em 2012, Ag Kaedy estreou-se a solo com a pureza sofrida do acústico 'Akaline Kidal', lançado pela sempre atenta e relevante Sahel Sounds em 2019. Nesta encarnação em duo, Ag Kaedy toma novamente as rédeas da electricidade, alinhando as melodias circulares e hipnóticas de guitarra dos "blues do deserto" - termo meio simplista e recorrente, mas com o seu sentido - com a precisão rítmica de Guthrie, num drive contundente e encantatório que serve de cenário a histórias vividas na sua própria voz.
Joana Guerra (Lisboa, 1983), violoncelista, compositora, improvisadora cuja inquietação e paixão pela experimentação a têm levado a colaborações com inúmeros músicos, assim como a projetos de dança, performance e teatro, entretecendo um universo único em constante expansão. Tem trabalhado em contextos diversos, a solo e coletivamente, movendo-se livremente entre disciplinas artísticas. Joana incorpora uma vasta gama de influências, incluindo noise, improvisação, folk, jazz, música experimental, sonoridades tradicionais ou minimalistas, unificando essas referências numa abordagem distintiva.
Lançou quatro discos do seu projeto a solo, sendo o mais recente "Chão Vermelho" (Miasmah Records): canções impressionistas e experimentais, alinhadas pela hipnose do violoncelo.
Colabora em projetos no espectro da música exploratória e improvisada: The Alvaret Ensemble, Lantana, Tratado Ensemble (inspirado na obra Treatise de Cornelius Cardew), Orquestra do Ruído, etc. Além de variadas colaborações artísticas: Joëlle Léandre, Surma, Gume, João Ferro Martins, Manja Ristic, Victor Herrero, Ricardo Jacinto, Lula Pena, Mikhail Karikis, Yaw Tembe, Asimov, Tiago Sousa, Pop Dell’Arte, entre outres.
Abertura de Portas
21h30
Preços